
Diagnóstico
O funil que finge que existe
"Aumentar tráfego" quase nunca é o problema real.
Toda reunião de marketing que trava começa com a mesma frase: "precisamos de mais tráfego". É a resposta mais fácil de dar e a mais cara de estar errada.
O funil não é linear — e isso já muda a conta
Segundo dados de comportamento do consumidor divulgados pelo próprio Google, 60% dos consumidores realizam seis ou mais interações com uma marca antes de decidir comprar dela pela primeira vez. Não é "vê o anúncio, clica, compra". É ver, esquecer, ver de novo em outro lugar, pesquisar o nome, comparar, só então decidir.
Um funil desenhado como linha reta — anúncio → site → venda — já nasce descrevendo errado o que realmente acontece. E quando o modelo mental está errado, o diagnóstico também fica.
Um funil desenhado como linha reta — anúncio → site → venda — já nasce descrevendo errado o que realmente acontece.
O tamanho real da diferença entre quem cuida do "depois do clique" e quem não cuida
A WordStream mantém um índice que acompanha o desempenho de 23 mil landing pages ativas, atualizado anualmente. No levantamento de 2026, o grupo de melhor desempenho — os 10% do topo — converte a 14,7% dos visitantes em lead ou venda. Isso é bem acima da maioria das páginas do mesmo índice, que fica muito atrás disso.
A diferença entre o topo e a média não vem de um anúncio melhor. Vem do que existe depois do clique: clareza da proposta, velocidade de carregamento, prova, e um caminho sem fricção até a ação. O mesmo levantamento aponta que marcas que rodam teste contínuo (multivariado, não só "trocar a cor do botão uma vez") atingem taxas de conversão 3,4 vezes mais altas que quem nunca testa nada.
Onde o dinheiro realmente evapora
Isso conecta direto com outro ponto que já mostramos aqui: mesmo quando o tráfego chega e vira lead, boa parte desses leads nunca é efetivamente trabalhada. Levantamentos do setor de vendas (agregados por LeadResponse e outros, citados no nosso artigo sobre tempo de resposta) apontam que uma fração relevante — em alguns estudos, próxima de 70% — dos leads gerados nunca recebe follow-up suficiente pra converter.
Empilha os dois problemas — página que não converte visitante em lead, e lead que não recebe follow-up — e o resultado é um funil que "existe" só no slide da apresentação. Na prática, ele vaza em pelo menos dois pontos antes mesmo de chegar no fechamento.
Aumentar tráfego pra dentro de um funil que já vaza não conserta o vazamento — só aumenta o volume que passa por ele sem converter.
O que isso muda na prática
Aumentar tráfego pra dentro de um funil que já vaza não conserta o vazamento — só aumenta o volume que passa por ele sem converter. É por isso que "escalar anúncio" às vezes faz o CAC (custo de aquisição) piorar em vez de melhorar: você está pagando mais caro pra alimentar o mesmo buraco.
A pergunta que precede qualquer decisão de mídia não é "quanto investir". É: nas etapas que já existem hoje — página, resposta, follow-up — onde exatamente as pessoas estão desistindo, e por quê.
Fontes
- Google — dados de comportamento do consumidor (jornada multi-touch, 6+ interações antes da compra)
- WordStream — Landing Page Performance Index 2026 (23.000 landing pages ativas monitoradas)
- Dados de follow-up e resposta a leads já citados no artigo "O gargalo que ninguém mede" (LeadResponse, IRC Sales Solutions e outros)
Antes de aumentar o investimento em tráfego, vale saber onde o funil atual está vazando.